Não existe jeito neutro de mostrar informação. Cada escolha de desenho desta página empurra você um pouco pra algum lado. Aqui está a lista das escolhas que fizemos, o efeito que cada uma pode ter em você, e o que fizemos pra segurar esse efeito. Se depois disso você discordar do nosso critério, ótimo — você pode ler o dado bruto pelos links e decidir sozinho.
1. A ordem em que os candidatos aparecem
O que fazemos: a ordem dos candidatos é sorteada a cada visita. Quem abriu a página antes de você viu outra ordem. Dentro da mesma visita ela não muda, pra você não se perder.
Como te influencia: quem aparece primeiro é mais lido e mais escolhido. É o efeito mais forte e mais invisível de qualquer lista — e não existe ordem "neutra": número de urna favorece partidos antigos, ordem alfabética favorece quem se chama Ana, pesquisa de intenção de voto favorece quem já está na frente.
O que fizemos pra segurar: o sorteio distribui o efeito entre todos. Se você quiser ver alguém específico, a caixa de busca acima da lista leva direto até a pessoa, e a página passa a mostrar primeiro quem você já investigou.
2. As cores do bloco Integridade
O que fazemos: cinza, âmbar, laranja e vermelho conforme o estágio do processo.
Como te influencia: o olho lê cor antes de ler texto. Um âmbar pode parecer "culpado" pra quem passa rápido, mesmo sendo só uma investigação que pode não dar em nada.
O que fizemos pra segurar: a cor segue o que o tribunal já decidiu, nunca o que nós achamos. O rótulo em palavras está sempre colado na cor. Vermelho só existe quando um colegiado condenou. E o item arquivado fica verde — não some, porque sumir também seria esconder.
3. Acusação e defesa lado a lado
O que fazemos: nenhuma acusação aparece sem a defesa ao lado, no mesmo tamanho de letra.
Como te influencia: dá a impressão de que toda acusação tem dois lados de peso igual. Às vezes não tem: uma condenação definitiva ao lado de uma nota de "vou recorrer" não são equivalentes.
O que fizemos pra segurar: o estágio do processo (o rótulo) diz quem está ganhando. A defesa está ali pra você ouvir o outro lado, não pra empatar o jogo. Quando o candidato não respondeu, mostramos isso em vez de deixar vazio — o silêncio também é informação.
4. Quem tem mandato parece pior do que quem nunca teve
O que fazemos: mostramos votações, presença e processos de quem já ocupou cargo.
Como te influencia: quem tem histórico tem mais coisa pra ser criticada. Um novato aparece "limpo" só porque nunca fez nada — nem de bom nem de ruim. Isso favorece o desconhecido.
O que fizemos pra segurar: o bloco vazio diz "sem registro encontrado", nunca "nada consta". E o bloco Fez mostra o que a pessoa entregou, não só o que ela deve. Ainda assim, este viés existe e não conseguimos eliminar — só avisar.
5. A lista de faltas começa pelo placar mais apertado
O que fazemos: no bloco Presença, a votação em que o candidato faltou e que foi decidida por menos votos aparece primeiro.
Como te influencia: a primeira falta que você lê parece a mais grave. E faltar numa votação apertada de fato pesa mais — mas a gente não sabe por que a pessoa faltou.
O que fizemos pra segurar: o critério é um número público (votos de diferença), não a nossa opinião sobre o que é polêmico. Licença registrada não conta como falta. Obstrução declarada aparece separada de ausência.
6. O que não está aqui
O que fazemos: só publicamos o que tem fonte primária com link.
Como te influencia: o que não conseguimos provar não aparece — e você pode achar que não existe. Processo em segredo de justiça, denúncia sem documento, coisa que só saiu na imprensa: tudo isso fica de fora ou fica em cinza.
O que fizemos pra segurar: dizemos na cara de cada bloco quando ele está vazio, e explicamos na seção "Como apuramos" quais bases consultamos. Ausência de registro não é atestado de nada.
7. Deputado estadual aparece com muito menos informação
O que fazemos: só dados de registro do TSE e links pra você checar. Sem histórico, sem integridade.
Como te influencia: pode parecer que deputado estadual "é tudo igual" ou que não tem problema nenhum. Ou pode te empurrar a dar mais atenção aos cargos que estão mais detalhados.
O que fizemos pra segurar: o aviso amarelo diz que ninguém checou. Não é que não haja o que dizer — é que a gente se recusa a dizer sem revisão humana. Preferimos você saber menos do que saber errado.
8. Quem é mais procurado ganha mais escrutínio
O que fazemos: os candidatos mais buscados sobem pra revisão completa primeiro.
Como te influencia: candidato famoso acumula mais itens (bons e ruins) do que candidato pequeno, só porque foi olhado mais. A cobertura segue a atenção, não a gravidade.
O que fizemos pra segurar: medimos a diferença de volume de itens entre blocos políticos e publicamos quando ela passa de 20%. É a nossa trava contra virar panfleto sem perceber.
9. Não damos nota
O que fazemos: não existe "8,5" nem "ficha limpa" nem ranking.
Como te influencia: você vai ter que ler mais e decidir mais. Isso cansa, e cansaço favorece quem já era conhecido.
O que fizemos pra segurar: nada — é uma escolha deliberada. Uma nota única seria a nossa opinião disfarçada de número. Preferimos o custo de você pensar ao custo de pensar por você.
10. Quem somos e de onde vem o dinheiro
O que fazemos: projeto sem vínculo partidário; não aceitamos dinheiro de campanha; financiamento publicado.
Como te influencia: você tem que confiar que isso é verdade — e não deveria confiar só porque está escrito.
O que fizemos pra segurar: responsável identificado, log público de todas as alterações de conteúdo, canal de correção com prazo. Se errarmos, fica registrado que erramos e quando corrigimos.